Geek é arte, Cosplay faz parte

Por: Juliana Santana e Poliana Rodrigues

Contração das palavras em inglês costume (traje/fantasia) e play / roleplay (brincadeira, interpretação), o cosplay é um hobby que consiste em fantasiar-se de personagens pertencentes, em grande parte, ao vasto universo do entretenimento, como games, quadrinhos, filmes, séries de TV, livros e animações. Em menor escala há aqueles que caracterizam-se como figuras históricas ou a partir de criações originais.
Uma das principais características do cosplay é que o praticante além de criar os trajes, também interpreta o personagem caracterizado, reproduzindo os traços de personalidade como postura, falas e poses típicas. O hobby costuma ser praticado em eventos que reúnem fãs desse universo, como convenções de anime e games.
( Cosplay Brasil, https://www.cosplaybr.com.br/page/index.php/o-que-e-cosplay.)

 Mas o que motiva um cosplayer? Quais as suas realizações nesse meio e quais são as suas maiores dificuldades?

Pensando nesses questionamentos, foi feita uma pesquisa com o público cosplayer de Salvador, onde deixamos aberto o espaço para algumas opiniões, daqueles que estão nessa jornada.

Cosplayers BA – Pré-Estreia Avengers: Endgame

O motivo por qual pessoas começam a fazer Cosplay são variados como, por exemplo, com influência de amigos, frequentar eventos, ou até mesmo família. Mas no final todas começam com uma vontade que já existia.

Ao conversar com Cal, uma cosplayer há 4 anos, temos uma boa noção de como a cultura tem um grande impacto na vida de uma pessoa. Ela nos conta que sempre gostou e sempre quis participar, mas foi somente com um grupo de amigas que realmente começou: “Desde que comecei a ser cosplayer sinto que encontrei algo que eu realmente gosto de fazer, me sinto bem em eventos e aprendo a cada dia a me reinventar e superar meus obstáculos”.

Além disso, para ela as influências são grandes como criatividade e aprendizado em artesanato e costura, e que infelizmente o dinheiro e materiais que não tem no país são a maior dificuldade para seguir com esse hobby.

Instagram: @calsplayy

Mas as vezes as motivações vem de uma maneira inusitada, uma simples “brincadeira” que acaba se desenrolando num hobby mais serio. Como foi o caso do Mário Bros, cosplayer há apenas 1 ano, Mário entrou nesse universo para comemorar o aniversário do filho! “Comecei no dia 07/09/2001 na Game XP  com o intuito de celebrar o aniversário do meu filho e acabei entrando em um mundo tão complexo que explicar minha experiência ficaria repetitivo”.

Ao ser questionado sobre a influência em sua vida ele diz que é positiva pois “conseguir trazer alegria no mundo de hoje é muito complicado”  e com seu personagem sendo muito aceito por todas as classes sociais, artísticas, e opções sexuais “conseguir  transmitir alegria ou melhor fazer sorrir é algo indescritível, principalmente quando as crianças correm em minha direção para me dar um abraço.”

Embora o financeiro seja um empecilho para os cosplayers, Mário acha que a maior dificuldade são as pessoas: “A ignorância, arrogância e julgamento quando pedimos uma contribuição sem valor estipulado, ou melhor dizendo dar o quanto puder, existem almas carregadas de rancor que não sabem julgar o pedir do contribuir, e também alguns artistas que criam suas leis para se acharem donos do espaço público pois a arte é livre.”

Instagram: @marioluigicosplaybrasil

Já Rayto Tsukishiro, uma cosplayer que já está no ramo há mais de 10 anos tem opiniões um pouco mais diferentes, já que para ela a maior dificuldade são as habilidades manuais, mas mesmo assim é um hobby relaxante e que desestressa. Seu ponto positivo? “Sempre descobrir que pode um pouco mais do que achava. Finalizar um Cosplay e se ver vestida nele e se sentir bem com isso.”

TuTz, que faz parte da cultura há 4 anos, começou com teatro. “Sempre gostava da ideia de me caracterizar. Juntei meu amor e respeito pela cultura japonesa, e minha paixão pelos animes em destaque, e resolvi começar a fazer cosplay.” E como influência o respeito cultural e artístico são os principais. O dólar muito caro e o calor nos eventos são seus pontos negativos. E pra ele cosplay é um hobby sério “Sempre busquei fazer cosplays básicos, mas vou aprimorando com o passar dos anos. Curto demais participar de grupos/ duo, e sempre fui aberto para sessões de fotos, apesar de ser um preguiçoso pra isso. Cosplay pra mim é hobby, então, dificilmente, vou me matar pra impressionar o público. Gosto de ser o mais simples e elegante o possível.

TuTz está criando gosto de desfilar nos eventos, e até está pensando em fazer uma apresentação. “Tenho muito o que aprender ainda, e sou realizado em ter cosplay como hobby.”

Nanna, assim como TuTz, começou no teatro: “Eu sempre quis fazer cosplay, eu fazia teatro e sempre amei interpretar diferentes personagens. Mas foi 2015 o ano em que eu e minhas amigas tivemos coragem e resolvemos realmente começar o nosso grupo, o Mitsu Team!” E assim está há 4 anos. Nanna nos disse que gasta parte de seu ano e seu dinheiro nisso, mas que não participa de competições. “Fazer cosplay é o meu maior hobby, […] com (o hobby) conheci pessoas maravilhosas, descobri talentos que eu nem sabia que tinha, percebi que a minha maior felicidade é quando vejo os olhos de alguém brilhando por ver seu personagem favorito, e principalmente o quanto me sinto orgulhosa de mim mesma ao conseguir concluir um cosplay!”

Ao falar dos pontos negativos ela vai para um lado sério: a sexualização. “[…] a falta de respeito de algumas pessoas em relação aos cosplayers, principalmente com personagens consideradas mais “sexualizadas”, as vezes a roupa que temos que usar, já que algumas impedem de andar direito, outras são muito quentes, muito incômodas”

Instagram: @itsmenanna_

Algumas vezes as pessoas começam trabalhando, como foi o caso da Karine Karem, que ao receber uma encomenda de cosplay foi pesquisar mais sobre e se apaixonou, e então vem fazendo cosplay por 5 anos. De acordo com ela “[…] cosplay não é pra estar “certo”, não é pra ficar perfeito e impecável sempre, o ponto não é esse. É você sair, encontrar outros cosplayers, se divertir muito, compartilhar suas experiências e tentar melhorar sempre dentro do que você gosta, de um jeito divertido.”  Ela percebeu isso depois do primeiro desfile: “Passei muito tempo fazendo cosplay pra outras pessoas, sempre com medo de fazer pra mim e não ficar bom. Depois de participar do meu primeiro desfile que fui finalmente entender […]”.

Para Karine “a comunidade cosplay é muito unida, a energia e a felicidade de participar de um evento rodeado de pessoas que gostam da mesma coisa que você na mesma intensidade é maravilhosa” e esse é o maior ponto positivo. Em contrapartida encontrar os materiais adequados em sua cidade é muito complicado, e quase sempre precisa encomendar de fora do estado.

Dia do Cosplay – Cosplayers BA 2018

Mas a maioria mesmo começou indo a eventos, como é o caso de Esteves, que faz cosplays desde 2013 após ir a um evento e gostar bastante, ele alega que ajudou a perder a timidez. Também foi o que aconteceu com Cam, que após ir há um evento resolveu se juntar às amigas e personalizar personagens de seu anime favorito e está nessa há 4 anos.

Instagram: @_itscamtime
Ph: @mrth.jpg

Ou então miihchanpp, que depois de ir a um evento em 2014 se apaixonou. Assim como Dorita que foi em um evento e ao ver um concurso resolveu tentar, aprendeu muita coisa e não para há 5 anos.

Em meio a tantas motivações, chegamos por fim a conclusão de que independente se você faz cosplay há 10 anos, ou há um, ou ainda não começou, não tem como negar que é algo bonito e trabalhoso de se fazer. Não apenas é um hobby, como para muitos também é um estilo de vida. Mesmo em meio a dificuldades é uma arte que deve ser valorizada e acima disso, respeitada.

E você, já pensou em fazer cosplay? Conta pra gente aqui nos comentários.

 Nos vemos na próxima !!

4 comentários sobre “Geek é arte, Cosplay faz parte

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